quarta-feira, 30 de setembro de 2009

MILÉSIMOS DE SEGUNDO

************************************************************************************* Bolhas de sabão livres no por do sol... Só flutuam juntas se forem lançadas na mesma direção e se não sofrerem interferência alguma. São livres, podem ir e vir, numa dança. Algumas vezes uma encosta na outra e se tornam uma só. Vezes uma ou outra se dispersa solitária. Poderiam até ter a mesma cor, mas não tem, porque sob elas nunca incide a mesma luz. Nuances variáveis. Tamanhos diferentes, espessuras iguais. Quando livres, inalcansáveis, não se sabe se vão estourar pelo calor ou apenas pela força do próprio vento que as leva. São como pensamentos soltos, feitas por um sopro de pulmão cheio, que depois de livres não retornam, explodem em pequenas partículas, se espalham e não se acha mais... Mas deixam ligeiramente úmido o solo que tocam, caso este seja seco. Após o explosão o que resta é apenas o espectro, e por meros milésimos de segundos... *************************************************************************************

terça-feira, 29 de setembro de 2009

HER MORNING ELEGANCE

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Cinco minutos de rede na varanda para o café da manhã sem café. Acima da minha cabeça os passarinhos cantavam aparentemente felizes, engaiolados na realidade deles, e abaixo, no chão, os pássaros livres, indo e vindo cominham as migalhas que caiam do alto. Por ter parado cinco minutos naquela rede, vi que o dia estava nascendo, dentro e fora de mim. Há alguma coisa de diferente no dia de hoje, que não sei precisar exatamente o que é. Talvez amanhã eu já tenha decifrado. A minha certeza é que hoje é um dia de sensibilidade... E quem sabe de surpresas sem sustos... Como arranjos brotando entre acordes com leveza... HER MORNING ELEGANCE ...Esta música, uma das minhas preferidas, tem essa característica, e por quantas vezes eu assistir o clipe, mais impressões nascerão e construirão este monte de sensações famintas. "-Olha! Sou eu!" - eu quase me ouço dizer a cada play. Para não me deixar esquecer que a vida caminha, as coisas se achegam, o necessário vem no tempo certo e este mesmo é a sua duração. Me sinto leve e feliz. **************************************************************************************

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

*PIRI*

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Fim de semana de resgate!

Fui fazer o que a maioria das pessoas não tem oportunidade... Fui tomar banho de cachoeira!

Não é metáfora, não é ficção.

Fui MESMO tomar um bom banho de cachoeira... E na saudade de um, tomei vários!

A água gelada no dia de calor. O sol no corpo querendo se queimar.

Íma sem igual: SEDE e ÁGUA.

Sede de deixar a vida fazer sentido, sede de ser parte natural das coisas, fora dessas paredes de concreto que calam a alma da gente. Esses tijolos que filtram de um jeito estranho o que entra em nossos ouvidos. Essa praticidade de mundo moderno que nos tira a identidade, o brio e o jeito próprio de fazer as coisas, agindo todos como num grande exército de ataque sem comando rumo a nada.

Este fim de semana, eu: borboleta livre, como as tantas que vi pelo caminho, sobrevoando o mundo e os pensamentos todos.

Deixei a água cair nas costas e fiquei lá de molho, quarando para renovar as cores.

Eu moro no interior de um país rico. No coração de um corpo imenso. E é bom estar de volta.

PEQUENOS DETALHES QUE NOS FAZEM REDESCOBRIR NOSSA ESSÊNCIA, SEJA ELA QUAL FOR:

*viajar de carro com as janelas abertas para sentir o vento,

*pé no chão (seja de areia, seja de pedra, ou qualquer coisa que não seja asfalto),

*cheiro de mato,

*barulho de água corrente fora do encanamento,

*raios de sol atravessando as folhas das árvores e iluminando os olhos,

*dar risada de mal feito sem fazer mal algum,

*som de cigarra anunciando chuva a tempo de se proteger,

*conviver com as diferenças e fazer disso uma grande festa de encontro com todos os que vivem dentro da gente,

*cheiro de comida feita no fogão a lenha,

*pessoas passeando de mãos dadas,

*janelas que dão para a rua,

*iluminação difusa,

*estrelas no céu limpo,

*se aquecer no corpo do outro,

*subir pedras, barrancos e troncos retorcidos com dificuldade e descer aos pulos,

*mergulhar para molhar os cabelos e deixar secar ao natural,

*ouvir ritmos diferentes, se arrepiar e sentir como se as batidas do coração mudassem por osmose,

*Pirenópolis em dia de sol, mas com pequenas ameaças de chuva: igual a tudo na vida!

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LUTO!

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Não há palavras para descrever um momento como este... De indignação, de tristeza e de fome de viver... Tudo misturado!
Há apenas uma razão para eu não ter escrito ontem... A ansiedade e a espera de notícias por uma amiga que estava desaparecida.
É triste saber que um ser humano pode ser cruel assim como foram com minha amiga. "Foram"... Não sabemos quem, quantos, sexo, onde nem como exatamente aconteceu toda essa barbárie... Só sabemos que eles mataram uma pessoa doce e de forte presença, que evidentemente lutou o quanto pôde, e que a cada um de nós que a conhecíamos deixou uma impressão para vida toda. E apesar de ter sede de justiça, nada mudará o fato de que ela deixou de existir aqui ao nosso lado.
A mãe da Polyanna, entre desmaios e gritos de dor (não, minha intenção não é ser dramática, é ser realista quanto aos fatos), despediu-se de todos os presentes fazendo um apelo público ao microfone, para que todos dissessem EU TE AMO olhando nos olhos enquanto é tempo...
A cada vez que perco alguém assim na vida, também sinto essa vontade súbita de sair abraçando forte todos os que eu amo e conhecendo mais, mais, mais, mais, mais, mais... Porque talvez, como ela, eu não consiga dizer adeus...
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"Choveu demais naquela noite, por aqui alagou até os últimos andares do prédio mais alto da cidade.Parece que agora temos uma cidade inteira submersa, brinco de pirata descobrindo alguns tesouros em vidas alheias. Mas a vida alheia cansa, cansa de um jeito que já nem sinto meus pulmões de baixo dessa água toda.Tudo enferrujou, as grades, as chaves, os anéis, e até os dedos dos meus pés e os ossos das minhas costas... cansada e enferrujada até não poder mais destravar os dentes.Piratas não gostam de tesouros pequenos. Encontrei ontem aquilo que procurávamos há tanto tempo, acho que não funciona mais, tentei dar corda mas até isso enferrujou ou congelou, não sei, os fios de água todos muito finos e gelados, em lascas de vidros brilhantes que quase cortam as mãos enquanto tateiam.Estava mesmo no prédio da esquina, como você havia dito. Desculpa não ter tentado lá antes. Agora não adianta , não funciona mesmo. Tentei aquecer em laços, lã e cetim, tentei ler uma historia bonita, cantar uma música, até respiração boba a boca...A chuva, deixou úmidos demais, os seus e os meus olhos.Sonhei que a gente havia conseguido fazer as coisas voltarem ao normal, enxutas e cotidianas daquele jeito que faz a rotina ser mágica... mas nada funciona, nada mesmo a vida inteira enferrujou nas nossas mãos... como os sonhos, as nossas historias e aquilo que temíamos.... o seu sorriso!"(Polyanna Borges)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

OLHOS PARA VER

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Cor nestes olhos, menina!
Escolha a cor que mais gostar, ou a que mais combinar agora (sim, não significam a mesma coisa), mas se precisar, pinte estes olhos!
Quem diz que a beleza natural é mais bela, não entende que até as flores mudam suas cores quando querem ou precisam. O próprio habitat faz isso com elas... E existe um signo maior para a natureza que elas, as flores?
A vaidade é natural, a busca também é.
Busque os contrastes, não tenha medo de ousar e brincar com as cores! Com cor nos olhos, ilumine sua tez! - Leia-se por tez: "A pele mais exterior, mais fina e mais sutil."
Prenda de uma vez estes cabelos e deixe seus olhos à mostra! São eles que dizem...!
Cada pontinho de luz é um sopro de vida dentro de você, e para saber quanta vida há, deixe estes olhos à mostra, menina! Você precisa ter consciência da própria medida e os que te querem bem também. Não pense que se hoje seus olhos se iluminam sozinhos, vai ser pra sempre assim. Uma hora ou outra você vai precisar mostra-los a alguém, e quem não precisa?
Tire estes óculos escuros, menina! Não existe visão alguma de raio-X, você não vai machucar ninguém, foi só um sonho ruim. Não, não acredite nos quadrinhos. Pinte os olhos da cor que quiser, mas lembre-se que eles enxergam o que todos enxergam e nada mais.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

CAOS

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"-Mari?"

"-Maaaariii???? Ta aí?"

"-Eeeei....Mari???"

"-Mari...Posso entrar?"

...

"-Oi, to aqui... Pode entrar... Mas não repare a bagunça e deixe a porta aberta, tá?"

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DOS ÚLTIMOS INSTANTES DE INVERNO...

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Faltam pouco mais de 24 horas (sim, porque sabiamente ela só chega no fim da tarde). E não importa se hoje em dia as estações são apenas teoria, é bom também ter no que apoiar-se, trata-se de uma ilusão consciente.
Por isso quando ele se for (este senhor austero que fez com que eu me fechasse em pensamentos) quero de volta a liberdade de todas as cores, os aromas, as rosas maduras, o orvalho fazendo brilhar a folha e um raio de sol, morno, ainda que tímido, mas existente. Todas essas promessas dela que eu aguardo ansiosamente enquanto caminho.
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